A validar pela DRE
Formador: Tiago Moderno
Carga horária: 15 horas
Destinatários: docentes de todos os grupos disciplinares
Calendarização: 17, 24 e 31 de outubro de 2026: 09h00 – 13h00 // 7 de novembro: 09h00 – 12h00
Local: Sede do Sindicato dos Professores da Madeira
Modalidade: Presencial
Inscreva-se aqui: https://www.spm-ram.org/spm_onsite/index.php?r=inscricao/create&id=776
Justificação
Num contexto educativo marcado por exigências crescentes, pela intensificação das tarefas e pela complexidade das dinâmicas escolares, torna‑se essencial compreender os fatores que influenciam o equilíbrio necessário ao exercício da docência e, consequentemente, a estabilidade dos ambientes de aprendizagem. A gestão do stresse, a prevenção do burnout e a organização da carga mental assumem particular relevância num cenário em que os professores desempenham múltiplas funções que exigem atenção contínua e capacidade de adaptação. É neste enquadramento que se justifica a presente formação, assente em conhecimentos baseados em evidência sobre stresse, burnout, carga mental e fatores organizacionais associados ao trabalho docente.
Ao aprofundar estes fenómenos, os docentes desenvolvem recursos que apoiam a manutenção de rotinas consistentes, a tomada de decisão e a gestão das exigências quotidianas da escola. Estes aspetos têm impacto direto na previsibilidade das interações, na organização das dinâmicas da turma e no envolvimento dos alunos, que beneficiam de contextos educativos estáveis e coerentes.
A reflexão sobre limites profissionais, carga mental e fatores de género permite compreender variáveis que influenciam o equilíbrio necessário à continuidade das práticas educativas. Investir no bem‑estar docente significa, assim, investir na qualidade da educação: professores com recursos pessoais robustos sustentam ambientes escolares mais consistentes, inclusivos e favoráveis ao sucesso dos alunos.
- Dotar os participantes de conhecimentos e estratégias psicológicas baseadas em evidências para gerir o stresse, prevenir o burnout e promover um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Objetivos específicos:
- Compreender o fenómeno do burnout
- Desenvolver competências de gestão emocional
- Estabelecer limites e gerir a carga mental
- Reestruturar pensamentos disfuncionais
- Analisar fatores organizacionais e de género
Conteúdos
Módulo 1: Compreendendo o Território: Do Stresse ao Burnout (3 horas)
– O modelo conceptual do burnout (Christina Maslach): exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização pessoal.
– Diferenças entre stresse agudo, stresse crónico e burnout.
– Fisiologia do stresse: o eixo HHA (Hipotálamo-Hipófise-Adrenal) e o impacto na saúde.
– Fatores de risco específicos da profissão docente (exigências burocráticas, relação com alunos/famílias, falta de reconhecimento social).
Atividades Práticas:
– Aplicação e interpretação de uma versão breve da Maslach Burnout Inventory (MBI) ou de um questionário de autodiagnostico de sinais de alerta.
– Exercício de autorreflexão: “Identificar as minhas principais fontes de stresse e os meus sinais pessoais de alerta”.
Módulo 2: Alicerces da Resiliência: Autocuidado e Gestão de Limites (3 horas)
– O conceito de Carga Mental e o seu impacto na capacidade de “desligar”.
– Teoria da Conservação de Recursos (Hobfoll): como preservar e recuperar recursos emocionais e
energéticos.
– Técnicas de Mindfulness e Grounding para a regulação emocional in situ.
– A importância do sono, nutrição e exercício físico na resiliência ao stresse.
Atividades Práticas:
– Exercício de Mindfulness: “Os 3 minutos de respiração consciente”. Técnica de Grounding 5-4-3-2-1 (para momentos de pico de ansiedade).
– Workshop de definição de limites: “Como dizer ‘não’ de forma assertiva” e “Criar um ritual de fim de dia de trabalho”.
Módulo 3: Reestruturar para Prosperar: Gestão Cognitiva e Emocional (Duração: 3 horas)
– Princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): a relação entre Pensamentos, Emoções e Comportamentos.
– Identificação de Pensamentos Automáticos Negativos (PANs) e Crenças Disfuncionais (e.g., perfeccionismo, necessidade de aprovação).
– Técnica de Reestruturação Cognitiva: como desafiar e reformular pensamentos distorcidos.
– Cultivar o Autocompaixão (conceito de Kristin Neff) em contraposição à autocrítica.
Atividades Práticas:
– Exercício do “Registo de Pensamentos Disfuncionais”.
– Role-play de reestruturação cognitiva com cenários comuns na escola. Meditação guiada de autocompaixão.
Módulo 4: Estratégias Práticas para a Sala de Aula e Relacionamento com Alunos (3 horas)
– Comunicação Não-Violenta (CNV) de Marshall Rosenberg para gerir conflitos e reduzir a despersonalização.
– Princípios da Psicologia Positiva aplicada à educação: foco em forças pessoais e emoções positivas.
– Gestão proativa da sala de aula para prevenir comportamentos disruptivos e desgaste emocional.
Atividades Práticas:
Análise de casos: Aplicação da CNV a situações de conflito com alunos ou encarregados de educação.
Exercício “Identificar e Utilizar as Minhas Forças de Caráter” (baseado no VIA Survey).
Brainstorming coletivo: “Estratégias para recuperar o controlo da sala de aula sem desgaste”.
Módulo 5: Integração e Prevenção de Recidivas: O Plano Pessoal de Bem-Estar (3 horas)
– A questão de género no burnout docente: a dupla jornada e as pressões sociais sobre as mulheres.
– Criação de hábitos sustentáveis: a Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan) e a motivação intrínseca.
– A importância do suporte social e da criação de redes de partilha entre pares.
Atividades Práticas:
– Criação de um “Plano Pessoal de Gestão de Bem-Estar” concreto e realista, com metas SMART.
– Discussão em pequenos grupos: “Como podemos, enquanto equipa, criar uma cultura escolar mais saudável?”
– Sessão de encerramento: partilha de compromissos e estratégias de follow-up.
Metodologia da Formação
Abordagem Experiencial: A formação será predominantemente prática. Cada conceito teórico será imediatamente aplicado através de exercícios, role-plays, estudos de caso e reflexões guiadas.
Avaliação dos Formandos
A avaliação será realizada da seguinte forma:
– Participação – 30% (pertinência, capacidade de reflexão
– Empenho – 30% (a aplicação dos conhecimentos adquiridos na sua prática pedagógica e propostas de intervenção);
– Trabalho Final – 40% (reflexão crítica que evidencie as aprendizagens efetuadas em contexto de formação).
A avaliação será individual, qualitativa e quantitativa, expressa numa escala numérica de 1 a 10 valores, prevista na legislação que enquadra a formação contínua dos docentes da Região Autónoma da Madeira, nos termos da alínea k) do n.º 2, do Capítulo II do Anexo da Portaria n.º 36/2021, de 18 de fevereiro, com os parâmetros seguintes: Excelente – de 9 a 10 valores; Muito Bom – de 8 a 8,9 valores; Bom – de 6,5 a 7,9 valores; Regular – de 5 a 6,4 valores; Insuficiente – de 1 a 4,9 valores.